Tchau, Aclimação.

 

Foram três anos e meio de convivência. Tranqüilo, bom de viver, sossegado.

Deve ter algum problema, mas, olhando deste lado, só tem vantagens.

Vinte minutos a pé do centro velho. Quinze dos restaurantes japoneses tradicionais. Vinte e cinco dos melhores sebos.

Tchau, Hirota. Tchau, pequenas vendas que dão ao bairro um tom de vila, mercadinhos e lojas da Av. Aclimação.

Tchau, Orquídea Palace, com seu trio de atendentes - Pereira, Cabelo e Hulk. Até, pizzas San Martino (recomenda-se com ênfase o Calzone Primo). E olha que não faltam opções.

Até mais Parque, valeu, lago. Tchau para as senhoras velhinhas japonesas que, frio ou calor, encaravam a Rádio Taissô às 6h30 da manhã no Parque.

Um dia, em 2009, o lado do parque secou. Estourou um cano e o lago secou. A notícia repercutiu a ponto de um amigo da Inglaterra mandar via email "Olha, não é aí onde você mora?".

Foi legal.

Muito legal.

 

Blop blop blop

 

A frase "estou de mudança" significa de que por um tempo você está funcionando em modo de segurança, só com o essencial.

Todo o resto está encaixotado sob milhares de bolhas do plástico bolha.

Aliás, haja força de vontade para não ficar estourando bolhas em vez de empacotar as coisas.

Encaixota aqui, blop blop blop, outra coisa, blop blop blop, termina um cômodo, blop blop blop.

Mas mudança pode ser algo muito instrutivo.

Dá uma sensação estranha quando você nota que tudo o que você tem cabe em trinta e poucas caixas.

Quando você está de mudança dá para descobrir um monte de coisas.

Por exemplo, que você não precisa de muita coisa do que tem.

E que algumas, absolutamente importantes quando adquiridas, não dizem mais nada.

Fora o esforço extra de manipular um estilete e fita super-ultra-adesiva sem se cortar e/ou ficar grudado no processo.

É divertido. Mas ainda bem que é só de vez em quando.

Mesmo.

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