Baú plano
É fascinante encontrar um daqueles disquetes de 3 e 1/2 polegadas. Havia um no fundo de uma gaveta. Na etiqueta, o nome de uma colega de sala e uma data, "1997", terceiro ano de faculdade. Abri o disquete como quem abre um baú de papéis velhos. Arquivos em word 6.0, word97 - última geração, na época. Trabalhos de faculdade, cifras de música, duas listas de canções para gravar uma fita - naquele tempo pessoas trocavam fitas cassete com suas músicas preferidas. Forma arcaica de socialização. Legal foi encontrar textos de doze anos atrás. Algumas surpresas - "céus, então eu escrevia assim?" - e a curiosidade de lembrar como cada texto foi escrito, quando, onde, como e porquê. (Lei de Murphy invertida: se o disquete tivesse dados importantes não teria sobrevivido doze anos; como eram amenidades, todos os arquivos em ordem). Eram críticas de filmes, músicas, livros. Alguns trabalhos de faculdade, questões de Ciência Política, Ética, trabalho de Rádio. Tudo original: copiar da internet ainda não tinha ocorrido a ninguém. E, no final, uma foto digital, tirada na época por um colega de sala que nunca mais foi visto. E uma turma, doze anos atrás, doze anos no presente. O mundo é nossa ostra.
Escrito por LM às 18h33
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